A Hipertensão Arterial Pulmonar representa o Grupo 1 dentro do sistema de classificação clínica da OMS de Hipertensão Pulmonar (revisão de 2003, Veneza) e é uma entre as cinco que formam tais grupos. Os grupos são divididos com base na etiologia.1

Grupo I. Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP)
  • Idiopática (HAPI)
  • Familiar (HAPF)
  • Associada com (HAPA):
    • Doença do tecido conjuntivo
    • Shunts sistêmico-pulmonares congênitos
    • Hipertensão portal
    • Infecção por HIV
    • Drogas e toxinas
    • Outra (desordens da tireóide, doença do armazenamento de glicogênio, doença de Gaucher, telangiectasia hemorrágica hereditária, hemoglobinopatias, desordens mieloproliferativas, esplenectomia)
  • Associada com envolvimento venoso ou capilar significativo
    • Doença veno-oclusiva pulmonar (DVOP)
    • Hemangiomatose capilar pulmonar (HCP)
  • Hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido (HPPRN)
Grupo II. Hipertensão pulmonar associada com doenças do coração esquerdo
Grupo III. Hipertensão pulmonar associada com doenças respiratórias e/ou hipoxemia (incluindo doença pulmonar obstrutiva crônica)
Grupo IV. Hipertensão pulmonar devida a doença trombótica e/ou embólica crônica
Grupo V. Grupo de Miscelânea
  • e.g. sarcoidose, histiocitose X e linfangiomatose

A HAP Idiopática (HAPI), que por definição não tem causa de base identificável, é um dos tipos mais comuns de HAP. A HAP Familiar(HAPF) é responsável por pelo menos 6% dos casos de HAPi e mutações no receptor 2 da proteína morfogenética óssea (BMPR2) foram identificadas na maioria dos casos de HAPf.2,3

A HAP também pode estar associada a várias condições (Hipertensão Arterial Pulmonar Associada – HAPA) que, juntas, são responsáveis pela maioria dos outros casos de HAP. Essas condições incluem:

  1. Doenças do Tecido Conjuntivo
    • incluindo esclerose sistêmica (esclerodermia) e lúpus eritematoso sistêmico (LES)
  2. Doenças Congênitas do Coração
    • incluindo síndrome de Eisenmenger
  3. Infecção por vírus da imunodeficiência humana (HIV)
  4. Anemia falciforme

A HAP é também um efeito colateral raro de certos agentes anorexígenos, tais como fenfluramina e dexfenfluramina. Contudo, a incidência da HAP induzida por droga está diminuindo, já que esses agentes não estão mais disponíveis.

1. HAP associada com doenças do tecido conjuntivo

A HAP é uma complicação bem reconhecida das doenças do tecido conjuntivo, tais como a esclerose sistêmica e o LES, e em pacientes afetados pode também ocorrer em associação com doença intersticial pulmonar. A prevalência da HAP em pacientes com doenças do tecido conjuntivo, como na esclerose sistêmica, foi relatada variando de 4,9 a 38%, com uma média de 16%4. Nestes pacientes, as complicações pulmonares tais como doença intersticial pulmonar e HAP são hoje as principais causas de morte. Pacientes com HAP associada com esclerose sistêmica têm um prognóstico particularmente ruim em comparação àqueles com esclerose sistêmica sem HAP.5

2. HAP associada a doenças congênitas do coração

As doenças congênitas do coração são relativamente comuns, afetando cerca de 1/8000 nascimentos na população. A HAP, reconhecida pelos índices de mortalidade e morbidade, é considerada um dos maiores desafios no tratamento desta população.6 Conforme determinado pelo nível de resistência vascular pulmonar, a forma mais severa de HAP é a Fisiologia de Eisenmenger, que está associada com a reversão de um shunt esquerdo – direito inicial causando cianose e capacidade limitada ao exercício.7

3. HAP associada à infecção por HIV

A HAP é uma complicação rara da infecção por HIV (prevalência estimada em pacientes com HIV: 0,5%8), mas relativamente bem-documentada. Com o advento da terapia antiretroviral altamente ativa (HAART) e o importante aumento da sobrevida desses pacientes, a HAP e outras manifestações não-infecciosas da infecção por HIV são, cada vez mais, responsáveis pela morbidade associada ao HIV e pelo prognóstico ruim. Em pacientes com HIV, a glicoproteína do envelope do HIV-1 GP120 pode estimular a produção de endotelina por macrófagos.9 A HAP associada ao HIV apresenta um quadro clínico similar à HAPI e parece ser independente do grau de imunossupressão.

4. HAP associada à anemia falciforme

A prevalência de HAP em pacientes com anemia falciforme é de 20% a 40%.10

Referências

  1. Simonneau G, Galiè N, Rubin LJ et al. Clinical classification of pulmonary hypertension. J Am Coll Cardiol 2004; 43:Suppl S: 5S-12S.
  2. Lane KB, Machado RD, Pauciulo MW et al. Heterozygous germline mutations in BMPR2, encoding a TGF-beta receptor, cause familial primary pulmonary hypertension. The International PPH Consortium. Nat Genet 2000;26(1):81-4.
  3. Deng Z, Morse JH, Slager SL et al. Familial primary pulmonary hypertension (gene PPH1) is caused by mutations in the bone morphogenetic protein receptor-II gene. Am J Hum Genet 2000 ;67(3):737-44.
  4. McGoon M, Gutterman D, Steen V et al. Screening, early detection, and diagnosis of pulmonary arterial hypertension: ACCP evidence-based clinical practice guidelines. Chest 2004; 126(1 Suppl): 14S-34S.
  5. Koh ET, Lee P, Gladman DD, Abu-Shakra M. Pulmonary hypertension in systemic sclerosis: an analysis of 17 patients. Br J Rheumatol 1996;35(10):989-993.
  6. Beghetti_PH_24110.book Seite 9 Dienstag, 4. April 2006 12:21 12.
  7. Diller GP, Dimopoulos K, Okonko D etal. Exercise intolerance in adult congenital heart disease: comparative severity, correlates, and prognostic implication. Circulation 2005; 112(6): 828-35.
  8. Speich R, Jenni R, Opravil M et al. Primary pulmonary hypertension in HIV infection. Chest 1991;100:1268-71.
  9. Sitbon O, Gressin V, Speich R et al. Bosentan for the treatment of human immunodeficiency virus-associated pulmonary arterial hypertension. Am J Respir Crit Care Med 2004; 170(11): 1212-7.
  10. Lin EE, Rodgers GP, Gladwin MT. Hemolytic anemia-associated pulmonary hypertension in sickle cell disease. Curr Hematol Rep. 2005 ;4(2):117-25.